Seminário “Sobre a Guerra”

 

PROMOÇÃO DO GRUPO DE PESQUISA “PODER GLOBAL E GEOPOLÍTICA DO CAPITALISMO”

COORDENAÇÃO: PROFESSOR JOSÉ LUÍS FIORI

ASSISTENCIA: RICARDO ZORTEA

ABERTO À PARTICIPAÇÃO DE PROFESSORES E DOUTORANDOS DO PEPI E DO PPGBIOS, DA UFRJ

PERÍODO: 2º SEMESTRE DE 2016

HORÁRIO: SEXTAS-FEIRAS INDICADAS NO PROGRAMA, DAS 10 ÀS 12,30 HRS

LOCAL: UFRJ, CAMPUS DA PRAIA VERMELHA, PRÉDIO DO IE, SALA 102

  1. PROBLEMA E OBJETO

Paradoxalmente, o fim da Guerra Fria trouxe de volta para o epicentro do sistema internacional, a própria guerra. Foram 47 intervenções militares americanas– algumas chamadas de “humanitárias- na década de 90, começando com a Guerra do Golfo e a Guerra dos Balcãs, em 1991 e 1992, seguindo com a guerra quase contínua do “Grande Oriente Médio”, de 2001 até hoje, e já incluindo a crescente tensão bélica atual, entre a OTAN e a Rússia, na Europa Central e no Mar Negro, e entre os EUA, a China, e o Japão, no Sul do Pacífico.

Por outro lado, quando se olha para história de longo prazo do sistema internacional, o que de constata é que, “de 1480 a 1800, a cada dois ou três anos iniciou-se em algum lugar um novo conflito internacional expressivo; de 1800 a 1944, a cada um ou dois anos; a partir da Segunda Guerra Mundial, mais ou menos um a cada quatorze meses[…] Movendo-se de século para século, vemos que o número de mortos em combate por estado aumenta de menos de três mil por ano durante o século XVI para mais de 223 mil durante o século XX[..]Isso quer dizer que no século XVI os estados que sempre participaram das guerras de grandes potencias estiveram em conflito durante cerca de um ano a cada três, e no decurso do século XX, um ano a cada cinco. Os números são apenas aproximados, mas determinam o intenso envolvimento na guerra, século após século, dos estados europeus. Também sugerem que os preparativos para a guerra, o seu pagamento e a reparação de seus danos preocuparam os governantes durante os cinco séculos em exame. Além do mais, nos cinco séculos antes de 1500, os estados europeus concentraram-se quase que exclusivamente em fazer guerra. Durante todo o milênio, a guerra foi a atividade dominante dos estados europeus”1

  1. PERGUNTAS

Kant reconhecia a inevitabilidade das guerras, como “um meio de propagação da civilização europeia”. Mas sua expectativa, e de todos os iluministas, era de que a necessidade das guerras diminuísse com o avanço da presença civilizatória dos europeus, ao redor do mundo. Exatamente o oposto do que aconteceu nos últimos cinco séculos. Por outro lado, no campo de teoria política internacional realista, Raymond Aron e Henry Kissinger propuseram uma distinção para explicar as guerras, entre dois tipos distintos de sistemas internacionais, um “homogêneo” e o outro , mais “heterogêneo”, dependendo do grau em que os estados envolvidos compartissem ou não os mesmos valores e “códigos éticos”. Mas o que ocorreu através da história foi exatamente o oposto: as guerras mais violentas e destrutivas ocorreram sempre dentro dos sistemas “homogêneos”, entre países que compartiam a mesma ética e a mesma cultura, e de forma muito particular e violenta, entre os europeus. Sendo assim, como pensar a possibilidade, e o lugar de uma “ética internacional”, dentro de um sistema interestatal que parece estar em guerra quase permanente, renovando a cada nova guerra, os seus ganhadores e perdedores? E como pensar a relação destas guerras com a origem, consolidação e transformação dos códigos éticos que regeram as sucessivas “ordens internacionais” através da história? Estas são as grandes questões que nos remetem analiticamente às quatro perguntas que se propõe organizarão a reflexão deste seminário:

  1. Sobre a origem ou causas mais recorrentes e permanentes das guerras

  2. Sobre a natureza catastrófica e/ou teleológica das guerras, com relação ao avanço da história humana;

  3. Sobre a relação das guerras com a formação e mudanças da chamada “ética internacional” que está por trás e sustenta toda ordem ou hierarquia mundial.

  4. Sobre as relações entre o mundo da “geo-ética” ou “geo-cultura, e o mundo da geopolítica e geoeconomia do capitalismo.

  1. SEMINÁRIO

Nossa pesquisa sobre a formação, história e geopolítica do sistema interestatal capitalista, e sobre a dinâmica do “poder global”, sempre considerou a guerra como um fenômeno central do sistema, mas dedicou pouco espaço, até hoje, ao tratamento da ética internacional, atendo-se mais ao estudo da relação das guerras, com a formação dos sistemas tributários, o desenvolvimento tecnológico e a acumulação do capital. Este Seminário pretende corrigir esta falha ampliando nosso campo de pesquisa para incluir o problema da relação das guerras com a construção e difusão dos padrões éticos internacionais, sem excluir as dimensões geopolíticas e geoeconômicas do problema. Por se tratar de um seminário exploratório, aberto e livre, seu programa não segue um roteiro linear, nem apresenta uma argumentação conclusiva, propondo apenas a discussão de tópicos e problemas inter-relacionados, através da leitura crítica de vários autores e textos clássicos que sustentam posições e dão respostas diferentes – e muitas vezes contraditórias – às perguntas fundamentais que estão no ponto de partida deste seminário.

As reuniões de trabalho do seminário se realizarão no período de setembro a dezembro de 2016, e no primeiro semestre de 2017, nos dias indicados no programa. E constarão de uma exposição inicial de apresentação do tema, dos autores de referência e do expositor, que servirá de ponto de partida para o debate dos participantes do seminário.

  1. TEMAS, AUTORES E EXPOSITORES

1. “GUERRA E PAZ: UM ENIGMA HISTÓRICO, ÉTICO E TEORICO”: J.L. FIORI – DIA 16 DE SETEMBRO2.

2. “A FILOGENIA DA GUERRA: UMA HIPÓTESE SOBRE SUAS ORIGENS” – DANIEL BARREIRO -= DIA 30 DE SETEMBRO

3. “A GUERRA E A ÉTICA NO PENSAMENTO GREGO DE HERACLITO, TUCÍDITES, PLATÃO E ARISTÓTELES” – MARIO MAXIMO – DIA 7 DE OUTUBRO

4. “A ‘GUERRA JUSTA’, NO PENSAMENTO ESTOICO-CRISTÃO DE CICERO, SANTO AGOSTINHO E SANTO TOMÁS”: JOSÉ LUÍS.FIORI – DIA 21 DE OUTUBRO

5. “ GUERRA E PAZ NO PENSAMENTO POLITICO E JURIDICO DE MAQUIAVEL, GROTIUS E HOBBES” – MAURICIO METRI – DIA 28 DE OUTUBRO

6. “A GUERRA E A ÉTICA NA VISÃO KANTIANA E UTILITARISTA”: ALEXANDRE COSTA – DIA 4 DE NOVEMBRO

7. “A GUERRA, A EVOLUÇÃO E O PROGRESSO NA FILOSOFIA DA HISTÓRIA DO SÉCULO XIX”: ANDRES FERRARI – DIA 11 DE NOVEMBRO

8. ‘GUERRA E PAZ NA VISÃO DE CLAUSEWITZ E ARON”: RICARDO ZORTEA – 18 DE NOVEMBRO

9. “GUERRA E VIOLÊNCIA, NA TEORIA MAXISTA DO CAPITAL, DO IMPERIALISMO E DA HISTÓRIA”: CARLOS EDUARDO MARTINS- DIA 25 DE NOVEMBRO

10. “GUERRA, TERRITÓRIO E ORDEM MNDIAL NA TEORIA GEOPOLITICA CLASSICA E MODERNA”: RAPHAEL PADULA – DIA 2 DE DEZEMBRO

11. “GUERRA E PAZ NA TEORIA REALISTA DO SÉCULO XX” – PAULO LIRA – DIA 9 DE DEZEMBRO

12 . “GUERRA, ETICA E TRANSFORMAÇÃO MUNDIA, NA ÓTICA DO “PODER GLOBAL”: J.L. FIORI – DIA 16 DE DEZEMBRO

AS SEGUINTES SESSÕES DO SEMNÁRIO AINDA NÃO TÊM DATA DEFINITIVA.

13. “TEORIA DAS ‘GUERRAS HEGEMONICAS’ DE MODELSKI E GILPIN” – HELIO FARIAS

14. “GUERRA, EGOISMO E SOLIDARIEDADE NO NEO-EVOLUCIONISMO SOCIAL”: TIAGO NASSER APPEL

15. “GUERRA, VIOLENCIA E MALDADE NA PSICOLOGIA PROFUNDA DE FREUD JUNG E KLEIN”. CLAUDIA VATER

16. O “UNIVERSALIOSMO EUROPEU” DOS MÉDICOS SEM FRONTEIRA – MARISA PALACIOS

17. “GUERRA AO TERROR”: UNIVERSALISMO ETICO E LÓGICA IMPERIAL”- FABIO LIMA

18 “AS GUERRAS HUMANITÁRIAS” E/OU O “PACIFISMO BÉLICO” DO SÉCULO XXI”: HENRIQUE PAIVA

19. “GUERRA E PAZ NUM MUNDO INTERCIVILIZACIONAL”, J.L. FIORI

BIBLIOGRAFIA DE APOIO

CADA EXPOSITOR ENVIARÁ NO MOMENTO OPORTUNO A BILBIOGRAFIA CORRESPONDENTE À SUA EXPÓSIÇÃO.

1 Tilly, C., “Coerção, Capital e Estados Europeus”, EDUSP,1996, S.P, P:123 e 131

2 Na página do nosso Grupo de Pesquisa, www.podergobal.net está disponível uma palestra que fiz na Fundação Planetário do Rio de Janeiro, no ano de 2000, sobre o tema “Guerra e Paz: o Relógio do Tempo Político”